As sestas do medo

Set 4, 2021 | INFORMAMOS-TE | 0 comments

A ciência já nos explicou que através do sono podemos codificar toda a informação que fomos processando durante todo o dia. Ou seja, as vivências, as sensações, os problemas, as emoções, ou o stress que fomos recebendo, tudo se armazena enquanto dormimos. O cansaço, tanto físico como mental, que experimentamos a cada dia, pode levar-nos a dar certas “cabeçadas” em momentos pouco característicos para isso. Foi assim que nasceu a sesta do medo, um tipo de sesta pouco conhecida a nível popular, mas cada vez mais necessária.

 O curioso fenómeno que sucede no nosso cérebro quando sentimos stress e medo

Quando as pessoas se enfrentam com o medo ou com o stress, os nossos corpos entram numa espécie de dicotomia: por um lado sentem que há que fugir, e pelo outro, ativa-se o modo de luta. A explicação científica é a seguinte: o córtex adrenal liberta o que conhecemos como as hormonas do stress. Umas hormonas que servem para colocar o nosso corpo em alerta. ¿Como? Fazendo com que o coração bata muito mais rápido, aumentando a nossa respiração, acelerando o metabolismo, e fazendo com que o sangue seja bombeado a um maior ritmo para os músculos do nosso corpo. Em resumo, faz com que o corpo tenha mais energia. A melhor maneira de se enfrentar a qualquer conflito.

Então, por que sucede que por vezes, ante certas situações de autêntico pavor, possamos sentir um profundo sono? A razão é simples, e também lógica. Se o nosso corpo estivesse constantemente neste modo ativo de sobrevivência, os níveis de stress no nosso corpo acabariam por provocar problemas de insónia, e incluso depressão. Por isso, para combater este problema a longo prazo, em algumas ocasiões o corpo “desliga”, e apenas nos apetece dormir.

Este tipo de ajuda, quase emocional ou psicológica, obviamente não acaba com o problema. Melhor dito, apenas o adia. Com este sono de sobrevivência sucede o mesmo. Ainda que tenha sido capaz de evitar de uma maneira temporal o conflito enquanto dormia, quando se desperta o problema persiste. E há mais. Quando dormimos, como já dissemos anteriormente, revivemos as experiências emocionais, ao mesmo tempo que as processamos e as armazenamos.

Então, de que nos servem as sestas do medo?

Chamamos-lhes sestas do medo, ou sestas do stress. São essas sestas de curta duração, que atuam como resposta do nosso cérebro perante situações limite. Como um mecanismo de defesa.

Este calmante transitório, que luta contra determinados estados emocionais, relaciona-se também com certas necessidades físicas e biológicas do nosso corpo. Ou seja, ajudam-nos a repor a glucose que perdemos quando nos enfrentamos com situações stressantes que tememos. Por outras palavras, uma forma de reiniciar todo o organismo.

As sestas do medo vão ajudar-nos a acalmar esses temores, ansiedades e ciclos de stress que vamos enfrentando ao longo da vida. Um calmante que vai aliviar estes males, e que evitará que possamos acabar sofrendo com maiores níveis de ansiedade, ou incluso com a tão temida depressão. Para isso, nada melhor do que fazer uma destas sestas do medo, e liberar-nos. Também podemos praticar a meditação, para ordenar as nossas emoções.