Porque é que bocejamos?

Fev 19, 2020 | INFORMAMOS-TE

“Podemos pôr um homem na lua, mas não entendemos porque bocejamos.” Esta frase muito precisa e paradigmática foi dita por Gary Hack, um cientista da Universidade de Maryland. Um gesto, ainda tão mal compreendido, que continua a ser objecto de lucubrações por parte de especialistas em diferentes áreas como a odontologia, a própria especialidade de Hack.

Bocejar é algo tão natural que se você parar para pensar por um segundo, você vai se lembrar que quando você esteve ao lado de um bebê você terá visto ele chorando, comendo… e bocejando. Se um recém-nascido chega a este mundo a chorar, no momento em que a parteira o conseguir acalmar, o seu segundo gesto será o bocejo. Algo que eles farão não só durante esse período inicial, mas também para o resto de suas vidas.

Então porque bocejamos? Qual é o significado de um facto que partilhamos com alguns animais como cães, leões, gatos ou mesmo rinocerontes?

Dezenas de estudos e permanece um grande mistério da humanidade

Por muito difundido e internalizado que seja o bocejo, ainda não está claro não só as razões da sua acção, mas o próprio propósito de o fazer. Embora existam teorias e algumas causas que, mais ou menos, acabaram por ser aceites, a única coisa certa é que o partilhamos com outras espécies, fazemo-lo desde o momento em que nascemos e é algo que, sobretudo, se repete na primeira e última hora do dia.

Diferentes estudos, após uma investigação observacional de grupos de pessoas, concluíram que a hora em que mais bocejamos era a primeira hora do dia. E, obviamente, na segunda posição foi a que precedeu a hora em que fomos dormir.

O fato de algo tão natural e cotidiano ter tanta literatura científica já é curioso em si mesmo. De fato, até os anos 80 a explicação generalizada pelos pesquisadores era que o bocejo nada mais era do que uma reação à privação de oxigênio. Ao bocejar, poderíamos introduzir uma grande quantidade de ar no corpo e aumentar o nível do mesmo no nosso sangue. No entanto, esta hipótese não sobreviveu à década de 1980 porque em 1987 foi descartada após experiências publicadas.

O certo é que o bocejo, de forma indirecta, desempenha uma dupla função de oxigenar e refrescar o nosso cérebro, este gesto natural consegue manter-nos alerta. Algo que explicaria porque o partilhamos com alguns animais. Mais uma vez, o instinto de sobrevivência explica muita coisa.

Outros estudos têm apontado campos tão diversos como a sexualidade (poucos bocejos indicariam que essa pessoa mantém pouco sexo), o grau de inteligência ou mesmo a capacidade empática dos seres humanos. A frequência do contágio bocejo é determinada pela proximidade que temos com a pessoa que boceja. Ou seja, será maior se ocorrer entre familiares do que com amigos ou, é claro, com estranhos. E os “culpados” disto seriam os neurónios-espelho.

Seja como for, é bom pensar que, a nível biológico, ainda tem um halo de mistério. Algo tão banal e natural que partilhamos com tantas espécies. E enquanto eles continuarem a investigar os porquês e os motivos desta ação, continuaremos a bocejar quando estivermos cansados, quando acordarmos após um confortável sono de oito horas, quando estivermos aborrecidos com a nova série de moda, quando estivermos ansiosos, quando tivermos fome ou quando estivermos nervosos com um evento que não pensamos ter dominado completamente.