Por que esquecemos os sonhos?

Set 5, 2021 | INFORMAMOS-TE | 0 comments

Por que esquecemos alguns dos sonhos que vivemos, e outros não? Não lhe resulta frustrante despertar com uma sensação agradável por ter experimentado uma recreação onírica satisfatória, mas não se lembrar dela? Já lhe passou alguma vez recordar-se de certos fragmentos e, como se fosse um realizador de cinema, tentar uni-los na sua mente? Já esqueceu um sonho imediatamente depois de se lembrar dele?

Todas estas perguntas têm uma resposta com uma bagagem científica. Ainda que o território dos sonhos siga embebido de um certo enigma, os especialistas na matéria já nos deram resposta a certas dúvidas. Entre elas, a principal: por que esquecemos os sonhos?

A razão científica que explica porque por vezes não recordamos os sonhos

Os números oficiais dizem que passamos um terço das nossas vidas a dormir. A ser assim, o que é verdade, porque dormimos um terço do dia, desfrutaríamos de 365 sonhos ao ano. No mínimo. Porém, de forma lamentável, não recordamos a maioria deles. No máximo, recebemos certos flashes, por meio de cenas que unimos, como se fossem um puzzle.

A pergunta é evidente, e já a temos bem definida: por que esquecemos os sonhos? A clara tendência humana de esquecer os sonhos de forma imediata, muitas vezes converge num pensamento erróneo, acreditar que não tivemos um sonho. Porém, diversos estudos defendem que aqueles que nunca conseguem recordá-lo, é basicamente porque não se despertaram no momento adequado.

Os especialistas informam que a maioria dos sonhos ocorrem durante o ciclo de sono de movimentos oculares rápidos (mais conhecido como Fase REM). Seguindo esta premissa, a explicação científica garante que a maioria de dormentes pode chegar a experimentar entre quatro e seis sonhos cada noite.

Entre 4 e 6 sonhos! Então, por que apenas me lembro de um (ou nenhum)?

A explicação apela a que há uma grande percentagem de dormentes que experimentam um tipo de sono muito mais profundo e pesado, que é menos vezes interrompido. É por isso que, essas pessoas que sofrem menos micro-despertares, se expõem a um número inferior de probabilidades de lembrar-se dos sonhos. Se os comparam com pessoas que têm tendência a se despertar com demasiada frequência, estes últimos vão ser mais capazes de recordar o conteúdo do que sonharam.

Esta conclusão de que “quanto mais profundo se dorme, menos se recorda o sonho”, tem certas arestas por limar. Há que ter em conta que a atividade cerebral demora algo como dois minutos, após nos despertarmos, para se ativar e começar com as codificações da memória. Portanto, que existam pessoas que sofram mais micro-despertares durante a noite, não é sinónimo de que se vão lembrar a 100% dos sonhos, ou que o vão fazer com maior nitidez que os dormentes mais pesados.

Segundo este estudo, publicado no ano de 2017, todas aquelas pessoas com maior propensão a recordar os sonhos, possuíam despertares noturnos que duravam mais. Ou seja, quando se despertavam a meio da noite, custava-lhes uns dois minutos tornar a adormecer. Pelo contrário, todos esses dormentes que se despertam também a meio da noite, mas tornam a adormecer uns segundos depois, não manifestam um grande índice de sonhos recordados.

Ao que parece, a região do cérebro que determina a capacidade humana de recordar os sonhos é o hipocampo. Esta estrutura, com forma curva, encontra-se dentro dos dois hemisférios, e é a encarregada de transmitir a informação da memória a curto prazo à memória de longo prazo.

O hipocampo é a região do cérebro que mais demora em adormecer. Através desta condição, pode ocorrer que a informação seja enviada de igual forma, mas esta já não é recebida, porque a zona encarregue de o fazer já está “dormida”.