O significado dos sonhos mais pesquisados em 2020

Mai 7, 2021 | INFORMAMOS-TE

Cada vez que se deita na cama e consegue adormecer, o seu subconsciente começa a funcionar da seguinte forma: são criadas imagens aleatórias, acompanhadas de sons, movimentos, sentimentos, sensações, memórias e emoções. Como uma espécie de filme onde você é o diretor e pode misturar as pessoas ao seu redor, pessoas famosas e parentes falecidos. Tudo no mesmo universo. Uma narração que funciona como um método de aprendizagem, assimilando as suas experiências. Mas, o que faz sentido enquanto você dorme torna-se um enigma quando acorda e se pergunta: qual é o significado dos sonhos?

Foi assim que o Covid afetou os sonhos de toda a humanidade

Os sonhos funcionam como recriações oníricas para as quais somos forçados a procurar um significado. E 2020 não seria uma exceção. Com o passar dos meses, o Coronavírus espalhou os seus tentáculos por todos os recantos das nossas vidas, transformando os sonhos em narrativas mais surreais, estranhas e sombrias.

Estudos como o realizado pelo Centro de Investigación de Neurociencias de Lyon, refletiram como a Covid-19 havia conseguido um aumento de 35% nos sonhos dos quais as pessoas que dormiam se podiam recordar. Por sua vez, a mesma pesquisa apurou que os pesadelos aumentaram 15%. Por outro lado, um estudo realizado em Itália pela Associazione Italiana di Medicina del Sonno, determinou que a maioria dos sujeitos investigados sofreram pesadelos e parassonias mais típicos de pessoas com transtorno de stress pós-traumático.

Como não podia deixar de ser, a pandemia também perturbou os nossos sonhos. Desde 22 de março, a pesquisa na Internet por “sonhos estranhos” passou de 0 a 100 no Google.

Tentamos decifrar quais são os sonhos mais comuns durante o ano da pandemia

Como regra geral, entre as consequências decorrentes do trauma, está o aparecimento de pesadelos por parte dos sobreviventes. É uma das consequências arraigadas entre as pessoas com transtorno de stress pós-traumático. E assim aconteceu durante 2020, sendo o mundo inteiro um dos afetados. Estes são os sonhos mais repetidos:

Sonhando com perigos, ameaças, medos abstratos, perigos invisíveis: Durante 2020, sonhamos com insetos que nos atacam, ataques de gás venenoso, maremotos, monstros… Estes tipos de pesadelos funcionam como metáforas para as nossas preocupações. Efeitos da pandemia que simbolizam as mudanças nas nossas vidas e os traumas causados ​​pela Covid-19.

Viajar, encontrar amigos, planos sociais: Outro dos sonhos mais recorrentes em 2020 está relacionado a tudo o que perdemos. A vida social deixou de acontecer, perdendo planos, encontros, amizades e projetos. Sonhamos com viagens. Primeiro para lugares remotos, para os lugares que havíamos planeado. Depois, aqueles países exóticos simplesmente se tornaram o bar da esquina. Não apenas os planos para o verão foram interrompidos, mas o simples facto de tomar um café com seus amigos se tornou impossível.

Nostalgia e memórias do passado: A pandemia também nos fez recordar dos eventos passados ​​e pessoas em sonhos. Como bem sabemos, sonhar é uma forma de metabolizar certas experiências e perdas emocionais intensas ou difíceis. Portanto, 2020 foi o ano de sonhar com pessoas do nosso passado como velhos amigos, ex-companheiros e até aqueles amores de verão que vivemos na adolescência.

Ainda que possam parecer três tipos de sonhos muito distantes uns dos outros, há duas causas principais que compartilham. Todos estes sonhos obedecem a dois pontos de partida. Por um lado, eles podem ser desejos reprimidos que vêm à nossa consciência quando estamos a sonhar. No outro ponto, podem ser recriações de desejos não realizados. Em resumo, estamos a falar de tudo o que a maldita pandemia nos levou.

Por último, há outro lugar comum nos sonhos mais procurados e repetidos de 2020: a facilidade com que agora nos lembramos de tudo o que sonhamos. A explicação dada por alguns psicólogos e especialistas na área é a seguinte: a pausa que fizemos nas nossas vidas fez com que os sonhos adquirissem mais significado. Ao viver menos, aquilo com que sonhamos torna-se algo mais presente na nossa memória.