Como saber se sofre do Síndrome de Burnout

Nov 12, 2021 | INFORMAMOS-TE | 0 comments

No próximo 1 de janeiro de 2022, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhecerá de forma oficial uma nova enfermidade: a Síndrome de Burnout. Também conhecida de maneira popular como a “síndrome de estar queimado”, falamos duma enfermidade de tipo mental que se define pelo desgaste profissional e pela pressão laboral. Desta maneira, o ano de 2022 será o que, por fim, confirme algo que já sabíamos. Somos prisioneiros do nosso trabalho.

Em que consiste a Síndrome de Burnout?

Podemos associá-la plenamente com o século XXI, e a forma como agora encaramos o trabalho, mas o termo “burnout” foi utilizado por primeira vez em 1974 por Herbert Freudenberger. Foi no seu livro “Burnout: The High Cost of High Achievement”, e definia-se como um transtorno que é consequência do stress laboral crónico, caracterizando-se por um estado de esgotamento emocional que deriva em cinismo, atitude distante, sensação de ineficácia, e sentimento de não estar a cumprir bem com as tarefas. De alguma maneira, complementa-se com o que é conhecido como Síndrome do Impostor.

A definição como enfermidade mental da Síndrome de Burnout terá uma dupla leitura. Pela positiva, o reconhecimento servirá para poder tratá-la como se merece, para preveni-la, e fazer pedagogia sobre ela. Pelo contrário, também é a confirmação de certo declive social. A excessiva ambição profissional, combinada com a alta pressão que se exerce sobre os trabalhadores, e incluso a instabilidade ou ausência de trabalho, diminuíram-nos até ao ponto de criarmos um novo transtorno.

A Síndrome do queimado pode-se definir como esse transtorno emocional e psicológico que está provocado pelo stress laboral, e em como isso afeta o nosso dia a dia. Ainda que a Síndrome de Burnout esteja altamente vinculada ao âmbito laboral, na realidade tem impacto na vida de quem a sofre. E fá-lo, com consequências físicas e psicológicas, em forma de ansiedade ou depressão.

Como já temos visto, esta síndrome, que foi mencionada em 1974, está ligada ao ritmo de vida do século XXI. Apesar de ser algo novo, já podemos estabelecer um padrão que se repete entre as pessoas que a sofrem: afeta mais aqueles trabalhadores que escolheram a sua profissão de forma vocacional. Ou seja, a paixão desmedida pelo que faz, pode facilitar o seu aparecimento.

Como saber se sofre do Síndrome de Burnout

Causas e sintomas da Síndrome de Burnout

Já comprovamos que a Síndrome de Burnout encontra o seu principal detonante, tanto na pressão laboral (condições de trabalho), como no próprio ambiente (chefe, companheiros). O que sucede é que a carga de trabalho excessiva, o nível de stress, a pressão auto-imposta ou provocada pelos superiores, a ausência de apoio, as más relações com companheiros, os objetivos, o assédio, a pouca autonomia, ou a falta de formação para desempenhar certas tarefas, acabam por derivar em apenas uma direção: o stress crónico, convertido na síndrome de burnout.

O trabalhador encontra-se de repente com um estado anímico e emocional em que o stress, a angústia, a pressão, ou a tristeza, causam mossa. Sentimentos e sensações que não se podem deixar no trabalho, arrastando todos esses problemas para casa, com tudo o que isso carrega. Por que sucede isto?

– O nível de exigência: ainda que também possa ser auto-imposto, o habitual é encontrar um elevado nível de exigência por parte dos superiores.

– Horários de trabalho: Cada vez mais longos, e incluso inexistentes. Quantas vezes já levou o trabalho para casa?

– Ambiente laboral tóxico.

– Excesso de trabalho físico, promovido por má organização, falta de pessoal, etc…

– Expectativas pessoais, ou as exercidas por superiores ou companheiros.

– A própria personalidade do trabalhador: existem características pessoais, como a dependência ou a insegurança, que tornam esses trabalhadores mais propensos a sofrer com esse problema.

Ainda que não seja fácil mudar o entorno laboral, as próprias expectativas, ou a nossa forma de ser, existem uma série de ferramentas que podemos utilizar para combater o aparecimento da síndrome do queimado. A nível empresarial, podemos ajudar e solicitar uma melhor organização, que ajude a não sofrer essa sobrecarga laboral. Por outra parte, melhorando a nossa atitude e comunicação, poderemos acabar com certas atitudes tóxicas (ainda que isto nunca irá depender exclusivamente de nós, mas sim de quem as provoca).