Caída ao vazio, o espasmo hípnico do descanso

Mai 25, 2021 | INFORMAMOS-TE

Um choque intenso, a maior vertigem que já sentimos nas nossas vidas e um despertar brusco, encharcado de suor. Sonhar que caímos ao vazio é assim. Um dos tipos de pesadelo mais recorrentes e temidos para quem dorme (até 95% das pessoas já o experimentaram pelo menos uma vez na vida).

Embora devamos sempre ter em consideração que a análise a posteriori dos sonhos é tremendamente subjetiva e está aberta a dezenas de interpretações, há uma série de significados que poderíamos considerar verdadeiros.

Sonhar com cair ao abismo… e da nossa própria cama

Sonhar que caímos ao vazio cria uma ansiedade aguda, viva e penetrante, ao ponto de nos fazer acordar repentinamente. Mas porque isto acontece conosco? Existem fatores externos que ajudam a sofrer com estes sonhos que poderíamos considerar pesadelos?

Repetidamente, o sonho relacionado à queda no vazio normalmente contém os seguintes cenários ou situações: estamos a caminhar em algum lugar, deparamos-nos com uma espécie de abismo ou, sem querer, o chão desaparece debaixo de nós, caindo no vazio. Durante essa queda, que normalmente tende à suspensão da gravidade (ou seja, caímos como nos desenhos animados), ocorre um despertar instantâneo, intenso e suado. Como se realmente tivéssemos caído, o nosso coração bate a mil rotações, estamos com medo e é difícil recuperar a respiração normal.

O mais estranho de todo este processo é que, de alguma forma, sabemos que estamos no meio de um sonho. Por isso, assim que acordamos, a sensação que temos é de cair da cama… a tal ponto que muitas pessoas realmente sofrem com isso.

Sonhar que caímos ao vazio tem um nome médico e/ou científico: mioclonia hípnica. Situação que a ciência relaciona a um tipo de distúrbio que ocorre na transição entre a vigília e o sono.

Causas que influenciam este tipo de sonho

– Se já parou para analisar esse fenómeno, deve ter notado que o sonho de cair ao abismo geralmente ocorre nos primeiros minutos de sono. Porquê? A explicação mais científica que encontramos é a seguinte: ao nos deitarmos, ocorre uma espécie de descompensação entre o sistema vestibular e o cinestésico. Ou seja, entre os nossos ouvidos e os elementos que nos tornam conscientes dos nossos próprios movimentos. Aparentemente, enquanto o corpo se vai adaptando ao facto de estarmos deitados horizontalmente, pode haver um atraso no processamento dessa situação, o que leva o nosso cérebro a acordar com a sensação de estar a cair ao vazio. Curioso, certo?

– O stress também pode ser a causa. Falamos muito no blog da Maxcolchon sobre a influência do stress e da ansiedade no nosso descanso. E os espasmos hípnicos não seriam uma exceção. Normalmente, este fenómeno está intimamente relacionado com o stress, uma vez que pode ocorrer com maior probabilidade quando o nosso cérebro recebe maior atividade. Enquanto o cortisol funciona, as nossas preocupações continuam a ocupar a nossa mente e as ondas cerebrais não conhecem limites, o nosso corpo tenta relaxar em paralelo. Esta descompensação entre um cérebro a mil e um corpo relaxado, causa esta sensação de queda e consequente, de alarme

– Pode ser causado pela ingestão de certos medicamentos. Os espasmos hípnicos também podem ser causados ​​pelo uso de alguns medicamentos antidepressivos. Os inibidores da serotonina, como o escitalopram, ajudam no aparecimento destes espasmos de sonho.