As consequências de dormir demasiado

Jun 27, 2021 | INFORMAMOS-TE

“A dose faz o veneno”. Este é o tipo de filosofia que deveríamos aplicar cada vez que temos tendência a dormir demasiado. Ainda que pareça contraditório, devido ao fato de que conhecemos os incontáveis prejuízos que supõe não dormir as horas suficientes, experimentar o outro extremo também pode trazer resultados negativos.

A que chamamos dormir demasiado?

Em incontáveis ocasiões temos explicado o que supõe para o seu organismo não dormir o suficiente. Mas dormir demasiado também traz consequências negativas para a nossa saúde. Inclusive tantas ou mais como não dormir o suficiente.

Passar na cama mais do que as oito horas recomendadas pelos especialistas carrega uma série de efeitos vários, que nos podem afetar, tanto ao nosso físico, como na esfera cognitiva. Mas, ¿a que chamamos dormir demasiado?

Segundo os especialistas na matéria, a partir das nove horas de sono já se considera dormir demasiado. Para qualquer pessoa que se encontre em idade adulta e não sofra de nenhum tipo de transtorno ou doença, com as 8 horas recomendadas tem mais do que suficiente. O mesmo sucede se falamos das 10 ou 11 horas em idade infantil. Conforme vamos crescendo e passamos a adolescência, esta necessidade vai diminuindo, até poder saciar-se com as já mencionadas oito horas.

Em qualquer caso, é importante estabelecer algumas exceções. Por exemplo, existem pessoas que, devido a razões genéticas, durante toda a sua vida dormem mais horas do que as recomendadas. A esta classe de pessoas dá-se geralmente o nome de “dormidores longos”, já que dormem mais do que nove horas cada dia. No extremo oposto, encontramos os “dormidores curtos”. Ou seja, aqueles que, pelas mesmas razões genéticas, rendem plenamente, apesar de não superar as seis horas de sono.

Se se encontra em algum destes dois grupos de dormidores, o alarme deve soar quando exista uma mudança de padrão. Se é dos considerados “dormidores longos” e começa a dormir pouco, pode ser sinal de algum tipo de problema.

Isto é o que pode passar se dorme demasiado

Enquanto somos bebés e vamos passando as diferentes etapas da idade infantil e da adolescência, dormir é sinónimo de assimilação de uma multitude de processos, que desenvolvem o nosso cérebro e o nosso corpo. Porém, os danos de dormir demasiado implicarão uma série de consequências físicas e cognitivas:

– Dormir muito pode levar a perdas de atenção e falta de memória a curto prazo. Além disso, aumenta a probabilidade de padecer de enfermidades como Alzheimer, depressão ou demência.

– Maior risco de sofrer de problemas cardiovasculares, cardíacos, ictus, diabetes e até morte súbita.

– Aumento da sensação de dor ao passar mais tempo deitado na cama em determinadas situações.

– Problemas de infertilidade.

– Dormir demasiado provoca sensação de fadiga e esgotamento, aumentando assim as probabilidades de sofrer acidentes domésticos, laborais ou no trânsito.

– Ao expor-se menos à luz natural, ironicamente alteram-se os ciclos do sono e vigília, produzindo assim transtornos e fragmentação do sono.

Dormir demasiado como sinal de que padece de algum tipo de doença

Existem ocasiões em que dormir muito não é o problema em si, senão um sintoma de que ocorre algo mais, além do simples fato de dormir em excesso. Por exemplo, quando um adolescente tende a dormir horas a mais, pode ser sinal de que sofre de enfermidades psicológicas, como depressão, diabetes, ou problemas de hipotiroidismo.

Por outro lado, quando nos encontramos em idade adulta, dormir demasiado também se pode relacionar com os mesmos transtornos psicológicos (depressão), ou enfermidades (diabetes). Em geral, associa-se a depressão com aqueles adultos que dormem mais horas do que as devidas.